Da quase falência a faturar cerca de 900 mil ao ano com aulas de costura, a trajetória da empreendedora Priscila Azevedo - Nica por aí

Da quase falência a faturar cerca de 900 mil ao ano com aulas de costura, a trajetória da empreendedora Priscila Azevedo

  • terça-feira, junho 16, 2026
  • By Nicole Regiane
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Filha de empregada doméstica e autodidata na costura, empresária nascida em Brazlândia transformou a paixão por criar roupas em um negócio e criou o primeiro streaming de costura do Brasil

Antes de criar o primeiro streaming de costura do Brasil, a designer de moda e empreendedora Priscila Azevedo aprendeu a costurar desmontando roupas compradas em brechós. Sem dinheiro para cursos formais e em uma época em que tutoriais online ainda eram raros, ela encontrou na prática a própria forma de aprender. Anos depois, a metodologia criada intuitivamente se transformaria em um modelo de ensino digital que hoje reúne centenas de aulas e alunos de diferentes partes do país.

Nascida em Brazlândia, no Distrito Federal, Priscila Azevedo cresceu longe do universo da moda. Filha de empregada doméstica, começou a costurar aos 13 anos, customizando peças à mão para uso próprio.

Após concluir o ensino médio, ingressou no curso de Relações Internacionais e passou a conciliar os estudos com o trabalho em um call center. Em 2009, quando Priscila tinha 19 anos, a mãe vendo seu interesse pela costura preparou um de presente de Natal especial, sua primeira máquina de costura. O presente foi decisivo. Com ele, Priscila produziu uma nécessaire impermeável que rapidamente conquistou os colegas de trabalho. A procura pelas peças mostrou que a costura poderia se tornar mais do que uma fonte de renda extra. Diante da oportunidade, ela decidiu deixar a faculdade para investir na atividade que realmente despertava sua paixão e criatividade

“Percebi que as pessoas não compravam apenas uma peça. Elas compravam algo feito à mão, personalizado, criado com afeto. Foi quando entendi que a costura poderia mudar a minha vida”, relembra.

Poucos meses depois, Priscila pediu demissão para empreender. Criou um blog, começou a compartilhar conteúdos sobre costura e mergulhou em um processo intenso de aprendizado técnico. Participou das Olimpíadas do Conhecimento do SENAI e chegou a estudar até 16 horas por dia para aperfeiçoar habilidades em modelagem e confecção. Em 2011, tornou-se campeã estadual da competição.

Em 2015, Priscila vivia um momento decisivo na formação profissional. Enquanto cursava o técnico em vestuário no período da tarde, foi aprovada para a primeira turma de Design de Moda do Instituto Federal de Brasília (IFB), à noite. O bom desempenho acadêmico a levou a atuar como monitora e participar de projetos de pesquisa.

Ao mesmo tempo, a família enfrentava dificuldades financeiras após a mãe perder o emprego e passar a complementar a renda com a venda de cosméticos. A situação quase levou Priscila a abandonar os estudos ainda no primeiro semestre. No entanto, ela foi contemplada com o auxílio permanência do IFB e uma bolsa de monitoria, o que garantiu sua permanência no curso. Pouco depois, surgiram as primeiras oportunidades profissionais, entre elas um convite para lecionar no Senai, marcando o início de sua trajetória como professora.

Nos anos seguintes, construiu uma trajetória marcada por reinvenções. Ela deu aulas particulares, produziu roupas de cosplay sob encomenda e chegou a abrir uma escola de costura em parceria com uma sócia. Após alguns anos, o negócio encerrou as atividades, mas a experiência serviu de base para o projeto que ela desenvolveria mais tarde.

Com a experiência adquirida na primeira escola, Priscila decidiu recomeçar. Para tirar o novo projeto do papel, contou com o apoio de ex-alunas, que acreditavam em seu trabalho e emprestaram R$10 mil para o investimento inicial. Foi assim que nasceu a escola Vestida de Sonhos. O nome surgiu da proposta da escola de ajudar as alunas a transformar em realidade peças que antes existiam apenas na imaginação, permitindo que cada uma pudesse, literalmente, se vestir dos próprios sonhos.

Apostando em um modelo de ensino mais flexível e acessível, o projeto cresceu rapidamente. Em apenas seis meses, a escola já acumulava uma fila de espera com centenas de interessados, resultado que permitiu a Priscila quitar integralmente o valor emprestado e consolidar o negócio.

Mas a pandemia interrompeu o crescimento do negócio. Com as atividades presenciais suspensas, a empreendedora enfrentou uma crise financeira que quase levou a empresa à falência. Para se reinventar, criou pelo Instagram o Clube de Costura, uma comunidade paga na qual oferecia aulas online, desafios e acompanhamento para as alunas. O sucesso do projeto revelou o potencial do ensino digital e inspirou a criação de uma plataforma própria, baseada no modelo dos serviços de streaming, que ampliou o alcance dos cursos para alunos de todo o país.

Assim nasceu o VDS+, o primeiro streaming de costura do Brasil. Em vez de seguir uma sequência rígida de módulos, os alunos podem escolher livremente a peça que desejam aprender naquele momento, como em plataformas de filmes e séries. Hoje, o espaço reúne mais de 900 aulas disponíveis.

“A costura não precisa ser engessada. Cada pessoa aprende em um ritmo, tem interesses diferentes e sonhos diferentes. Quis criar uma plataforma em que o aluno pudesse explorar a criatividade de forma leve e personalizada”, explica.

A crise ficou para trás, as aulas presenciais foram retomadas e a plataforma de streaming continuou em expansão. Hoje, os dois modelos de negócio caminham lado a lado. Juntos, a escola física Vestida de Sonhos e a plataforma digital alcançaram um faturamento de aproximadamente R$900 mil em 2025, consolidando o sucesso da empresa.

Atualmente, Priscila administra a plataforma digital e a escola física ao lado do marido e sócio, Augusto Azevedo. Além da atuação como empresária, ela também produz conteúdo sobre customização de roupas, upcycling e moda criativa nas redes sociais, onde reúne mais de 180 mil seguidores. Entre seu público, muitas pessoas enxergam na costura não apenas uma atividade criativa, mas também uma oportunidade de geração de renda, empreendedorismo e autonomia financeira.

Ao longo da trajetória como professora, a empresária estima já ter ensinado mais de cinco mil pessoas a costurar. Entre os alunos estão desde iniciantes em busca de uma atividade criativa até pessoas que transformaram o aprendizado em profissão.

Para Priscila, o maior impacto da costura vai além da técnica. “Ajudar as pessoas a materializar os próprios sonhos é algo mágico. Às vezes, a pessoa chega achando que nunca vai conseguir criar nada e, quando percebe, está produzindo algo com as próprias mãos. Isso transforma autoestima, confiança e até a forma como ela se enxerga”, afirma.

Priscila Azevedo é designer de moda, costureira e empreendedora, fundadora da escola Vestida de Sonhos e da primeira plataforma de streaming de costura do Brasil. Autodidata, começou a costurar ainda na adolescência e transformou a paixão pela criação manual em um negócio voltado ao ensino criativo e acessível da costura.

É conhecida nas redes sociais por compartilhar conteúdos sobre customização, upcycling e modelagem, além de ensinar técnicas de costura para alunos de diferentes perfis e níveis de experiência.


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Sou inquieta por natureza, curiosa por paixão e apaixonada por descobrir o que há de melhor em cada lugar e momento. Viajar, experimentar, mudar e viver sem frescura fazem parte de quem eu sou desde sempre.

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